Mostrando postagens com marcador retrô 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador retrô 2010. Mostrar todas as postagens

20120229

Doze músicas de 2010:
1) WHEN THE NIGHT FALLS, Chromeo



A crônica dos jogos da rodada, a queda do ministro, as razões do acidente, as reivindicações dos grevistas. Como se ainda detivessem o monopólio da informação, jornais e tevês continuam a requentar mais do mesmo, ignorando que qualquer pessoa minimamente interessada nos fatos tem a internet para suprir suas necessidades imediatas por novidades. Compromisso com a História, justificam os pelegos da área. Daqui a alguns anos, pesquisadores poderão encontrar a nossa versão do acontecido.

Então, a título de REZISTRO, fica aqui a contribuição deste ínclito VEÍCULO para a posteridade.



A escolha foi tão acertada que, meses depois de definida, ensejou interpretações de duas figuras frequentes neste espaço – conforme segue abaixo, rendendo-se à TENDÊNÇA hodierna nos blogs mais bem-cotados de incorporar vídeos para dispensar as palavras.





E vamos em frente (?!), que 2011 (?!?!) pede passagem (?!?!?!).

20120202

Doze truques de 2010:
1) LUCIDITY, Tame Impala (Pilooski Remix)



O Facebook já ultrapassou o Orkut em número de usuários no Brasil. Luiza já voltou do Canadá. A bola já está rolando nos campeonatos estaduais. O Carnaval já é pauta dominante nos noticiários. O disco de Lana Del Rey já pode ser encontrado nos melhores piratas do ramo. Já faz 15 anos que Chico Science partiu. E até minha lista dos melhores discos de 2011 já perambula por aí. TALVEZ seja uma boa hora para revelar que, esgotados todos os prazos regulamentares, continuo sabendo aonde você foi, mas não como chegou.

20111130

Doze truques de 2010:
2) CHAOS, New Young Pony Club (Rory Phillips Mix)



Esta já folclórica retrospectiva vai acabar e continua não havendo explicação lógica para o descaso com que o segundo disco do New Young Pony Club foi tratado pelos mesmos hipsters que lamberam sua estreia como um sorvete de sonhos imorais. A banda inglesa tem um nome MANEIRO, três de seus integrantes são mulheres (incluindo uma na bateria, o que sempre é legal) e o som, se não é de todo original, a faz facilmente reconhecível entre seus pares. Rory Phillips entendeu o apelo e respondeu com um pouquinho mais de caos.

20110811

Doze músicas de 2010:
2) THE ONLY ONE, The Black Keys



Entre as muitas joias de um álbum brilhante, ela resplandece com seu órgão vintage arrepiando até o mais insensível dos ogros. O vocal derramado em falsete alimenta a impressão: o cotovelo tem de estar em petição de miséria para motivar uma declaração tão rasgada a um amor não correspondido. No blues rock primevo da dupla americana, a fossa ensina, purifica e inspira. E então a infinita tristeza já não machuca tanto porque é só uma fase, um rito de passagem a ser vencido para se entregar novamente.


(extraída do disco Brothers)

20110805

Doze músicas de 2010:
3) I LOOK TO YOU, Miami Horror



Quando degustei o disco novo dos australianos do Miami Horror, tive uma certeza e uma dúvida. Alguns daqueles arquivos fariam morada no tocador de mp3. Mas qual permaneceria por mais tempo no menu das favoritas, esta ou “I Look to You”? A definição veio em uma sexta-feira fadada ao zero-a-zero. Assim que a voz da neozelandesa Kimbra irrompeu pelo vazio da noite, a CINTILAÇÃO encarregou-se de renovar a fé na viabilidade da música feita para ouvir na pista, não para dançar. O clipe confirma a proposta.


(extraída do disco Illumination)

20110718

Doze truques de 2010:
3) I THINK I LIKE U 2, Jamaica (Breakbot Remix)



Um milita no Justice. Outro fez engenharia de som para o Daft Punk. No Jamaica (melhor nome), são menos eletrônicos e mais descarados. Ao que parece, tudo o que a dupla francesa almeja é pop derivativo. O toque do conterrâneo Breakbot facilita: o produtor trabalha com a mesma matéria-prima, um extrato oitentista atualizado somente o necessário para se equilibrar entre a esperteza contemporânea e o pastiche datado. Pode até ter ficado com um jeitão meio, sei lá, Rádio Táxi. Eu acho que gostei. Você também deveria.

20110531

Doze truques de 2010:
4) YOU WANTED AN ANTHEM, João Brasil



Você queria um hit. James Murphy também. Um que tivesse refrão fácil e parecesse meio errado, que fosse simples e durasse mais de nove minutos, que grudasse na memória sem manchar sua reputação; um anti-hit. João Brasil não é tão exigente nem precisa prestar tantas contas à pose. Apropriou-se de um terço do filé desprezado pelo dono do LCD Soundsystem, adicionou os vocais do C+C Music Factory (“Robi-Rob’s Boriqua Anthem”) e dividiu a farofa com o universo. Cada um ao seu modo, todo mundo é mocinho aqui.

20110525

Doze músicas de 2010:
4) PLASTIC BEACH, Gorillaz



Que me desculpem os símios, mas é um fardo voltar a 2010 – incluindo esta retrospectiva – depois de passar as últimas semanas envolto em uma realidade que só comporta presente e futuro. Ainda que 99% do meu potencial sejam gastos com aspectos comezinhos da vida, é o 1% de ilusão autoral que me impele a olhar para frente. Damon Albarn inverteu a equação trocando carne, osso & recalques por uma animação impermeável à banalidade. Como não posso fazer o mesmo, finjo que sou percebido como, er, escritor.


(extraída do disco Plastic Beach)

20110324

Doze músicas de 2010:
5) THE FALL, Teenage Fanclub



Era primavera no hemisfério Norte, outono no Sul. Cronologicamente, o nono disco do Teenage Fanclub representou sua volta após cinco anos. Espiritualmente, porém, a banda escocesa – ou as sensações por ela despertadas – sempre esteve circulando, ainda que em animação suspensa. No calendário do quarteto, o tempo é mera convenção, seja para pautar seus lançamentos, seja para concatenar acordes e vocais que consolam, felicitam e revelam: entre a dor perene e a delícia transitória, há uma zona de conforto.


(extraída do disco Shadows)

20110321

Doze truques de 2010:
5) CALL ON ME, Andy Bell (Hey Champ Remix)



Sim, é o Andy Bell do Erasure, que eu nem desconfiava que ainda andava dando seus pulinhos. E, se desconfiasse, também ignoraria. Mas o single que introduz seu segundo disco solo caiu na mão do Hey Champ, tornando impossível não acusar sua existência. Como de praxe, o trio de Chicago injetou manhas & malícias que o autor – um senhor prestes a completar 47 anos, 25 deles dedicados ao tecnopop gay e à bandeira idem – jamais alcançaria. Aí, cercou-se de sobrinhos capazes de levantar a poeira do armário.

20110317

Doze truques de 2010:
6) WAITING IN HEAVEN, Mighty Mike



Ela é da grife dos Bobs, lá do note de um francês sacana. De tarde, na praia, o que ela causa é de tragar e de passar de novo. É Marley, jamaicano, maconheiro, devotado. É Smith, anglicano, curandeiro, apaixonado. E assim poderia prosseguir até amarelar o dedo, com o reggae de “Waiting in Vain” derretendo as estrofes de “Just Like Heaven” espichadas pelas intervenções vocais do neto de Omeriah. Pergunte para Jean Mafra, que fechou os olhinhos e começou a cantar, doido para mostrar o quanto é saliente.

20110316

Doze músicas de 2010:
6) THE GHOST INSIDE, Broken Bells




Desde que saiu do anonimato em 2004, ao colidir Jay-Z com Beatles no Gray Album, todo ano o produtor-autor Danger Mouse aparece envolvido em algum bagulho bom. Em 2010, foi o Broken Bells. Em dupla com o vocalista e guitarrista James Mercer (The Shins), o nova-iorquino dispõe seu manancial de referências para forjar uma atmosfera TERNA, em que os cacoetes do parceiro podem deitar e rolar sem risco de reduzirem tudo ao estilo indie. O falsete, no caso, é a afetação que faltava para elevar a experiência.


(extraída do disco Broken Bells)

20110221

Doze músicas de 2010:
7) DRAGON PROW, Free Moral Agents



Acompanho as incursões paralelas dos integrantes do Mars Volta com a fidelidade do cão que late meus defeitos no horóscopo chinês. A concepção deles de música me atrai – apesar de, na maioria das vezes, esses projetos acabarem descendo tão ou mais estranhos do que a banda matriz. No Free Moral Agents, o tecladista Isaiah Owens também dá suas viajadas. A partir do litoral californiano, pega a estrada para o Sul em um dia claro. A luz que o guia é a mesma que provoca desvios e solavancos no caminho.


(extraída do disco Control This)

20110218

Doze truques de 2010:
7) NIGHTCALL, Kavinsky feat. Lovefoxx (Breakbot Remix)



O francês Breakbot integra o seleto grupo de manipuladores que imprime sua marca em qualquer música. Ligeira, lenta, pesada, suave, eletrônica, acústica, enfim; a todas ele calibra a velocidade no modo mellow e injeta elementos que evocam os anos 1980 de uma forma idealizada, muito mais elegante do que a década realmente foi. Como nesse remix para o conterrâneo Kavinsky, no qual o astral sombrio do original é iluminado com guitarrinhas e metais para Lovefoxxx nunca se cansar de ser sexy.

20110216

Doze truques de 2010:
8) CALIFORNIATIKTOKGURLS, Mash2Mix



Até os malditos ácaros do almoxarifado da Jovem Pan sabem que “California Gurls” e “Tik Tok” são a mesma música. Ambas foram produzidas por Benny Blanco, também responsável por “Circus”, de Britney Spears. Como tanto Kate Perry (“I Kissed I A Girl”, 2008) quanto Kesha (“Blah Blah Blah”, 2009) já eram suas clientes, o malandro repetiu na morena o serviço prestado na loura e ganhou em dobro. Menos PEJO ainda teve o holandês Mash2Mix, que embaralhou as duas e instaurou a metapicaretagem.

20110214

Doze músicas de 2010:
8) AM/FM, !!!



No começo do século, o !!! (pronuncia-se “chk chk chk”) foi saudado como um dos expoentes da safra nova-iorquina que iria impregnar as pistas com seu electro-funk indie. O não-cumprimento da promessa reduziu a banda à sua verdadeira dimensão. Passada uma década, dela não se pretende nada além de brilharecos ocasionais, como nesse single em que a funcionalidade vem antes do conceito. Primeiro, o escapismo. Depois (e se possível), alguma revolução. Tudo é uma questão de reajustar as expectativas.


(extraída do disco Strange Weather, Isn’t It?)

20110211

Doze músicas de 2010:
9) THE SUBURBS, Arcade Fire



Seria incorreto teclar que Arcade Fire é uma naba – não conheço a banda. Não me interessou quando surgiu nem por quem era recomendada. Fui escutar o combo canadense em uma compilação da revista Les Inrockuptibles contendo a cançoneta que vende e batiza seu elogiadaço último disco. É de uma perfeição tão, er, conservadora que encerra uma lição: por mais esquisita e multifacetada que esteja a cena, sempre haverá espaço para a caretice pop que em um abençoado dia nos fez gostar de música.


(extraída do disco The Suburbs)

20110208

Doze truques de 2010:
9) ACAPELLA, Kelis (Ming Remix feat. Chiddy Bang)



De uma artista BALOUÇANTE como Kelis, espera-se que o remix vá para outra direção e lhe confira crédito ante a crítica. O DJ e produtor Aaron Albano (o popular Ming) inverte a lógica. A gravação oficial é que soa cabeçuda perto do tratamento aplicado por ele, prenunciado pelos tradicionais cowbells indicativos de festinha. Então os rappers bacanas do Chiddy Bang chegam para dobrar a resistência – da opinião dita especializada, porque a cintura, essa já se rendeu e saracoteia sem vergonha pelo salão.

20110204

Doze truques de 2010:
10) HYPNOTIZE U, N*E*R*D (Boss in Drama Remix)



O que eu mais curto na corrente geração que não faz música longe do computador é essa irreverência impelida pela autoconfiança. Gente como o curitibano PÉRICLES, que se aventura sobre o trabalho alheio sem permissão e simplesmente ignora a fama que precede seus autores. Pouco importa se é o single de um trio badalado, produzido pelo respeitado Daft Punk: ele acelera a batida e muda o arranjo, ressaltando o potencial manhoso do falsete de Pharrell. Compare, feche os olhos e se deixe hipnotizar.

20110127

Doze músicas de 2010:
10) ROUND AND ROUND, Ariel Pink's Haunted Graffiti



Em outras épocas, esse tipo de som manso, com vocal PLÁCIDO e sutilezas eletrônicas, seria indexado em algum ponto entre o pop “adulto-contemporâneo” e “gay-fino”. Como vivemos em tempos mais anel-liberais, o rótulo inventado para classificá-lo é um primor de frescura: chillwave. Considerando que o angeleno Ariel Pink era chamado de freak folk antes de reunir o grafite assombrado, há que se reconhecer que o upgrade foi benéfico. Principalmente para quem ouve.


(extraída do disco Before Today)