20220201

Entre palavrinhas e palavrões



Anticapitalismo e arte contemporânea – Curiosa reportagem sobre a febre dos games de palavras. Tanto o Wordle quanto o Termo nasceram do amor: o inglês, de um gringo pela esposa fissurada em passatempos com letras; o brasileiro, de um engenheiro mineiro pelo idioma. Além de gratuitos e sem propagandas, ambos impedem que o jogador gaste o dia neles – uma “crítica social” digna de nota em uma época de distrações viciantes, ávidas por monetizações e cheias de anúncios.

Morre o picareta, ficam os burros – Enquanto a grande imprensa nacional se enche de melindres, o correspondente de um veículo alemão no Brasil usa os vocábulos precisos para falar da vida e obra do ex-astrólogo que só acertou uma previsão: com tanta gente querendo ser enganada, ele jamais passaria fome.

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APARELHO | Nostalgia é feito transitório



Em mais um episódio da série NFT (não percebeu as iniciais?), mergulhamos no empirismo psicodélico que atrai fiéis e nutre desafetos. De Rolling Stones ao Primo Cruzado, da fase marroquina de Caetano Veloso às piadas de Robert Crumb que envelheceram mal, nosso olhar vesgo & ferino vasculha o patético e o sublime com o mesmo empenho. Com este presente bizarro e um futuro incerto, ninguém pode nos criticar por visitar o passado como se fôssemos o Silk Sonic da subversão-moleque.

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PLAYLIST | vive mal quem não vive de amor



Neste mundo maravilhoso.

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20220125

O (pouco) ser e o (bastante) nada



Estava pronto para falar de um fato histórico que hoje completaria exatos 20 anos. Reli reportagens, selecionei algumas informações e me sentei para batucar o texto. No processo de lembrar sons, cheiros, cores, roubadas, vícios e malhos da época, vou me reencontrando também com quem eu era, como me sentia, o que almejava – e fico emocionado de verdade. Suspiro, tomo um café para me recompor, leio de novo o que pesquisei e, prestes a começar, faço uma descoberta que muda radicalmente o planejado.

Foi em 2001, não em 2002.

Impressionado com o poder da autossugestão, rio sozinho de mim mesmo. O bom de deixar as coisas para o último minuto é que a urgência torna tudo mais prático. Não há bloqueio criativo que resista à pressão do tempo. O tema desta terça caiu e eu poderia estar na praia postando stories sobre como o stand up paddle comedy me transformou em um vencedor, mas as únicas coisas que estão vencendo na minha vida com este calorão são o prazo, o desodorante e o carisma.

No cabeçalho, o número me encara. Tenho pena dele. Sempre gozou do status místico inerente aos primos (e ele ainda por cima é o sétimo!) terminados em 7, até pertencer à besta no Brasil. Como se livrou da maldição que por pouco não o condenou à danação eterna, porém, acho que já dá para pensar em reabilitá-lo. É uma dezena qualquer, apta a ser devolvida ao convívio em sociedade sem assustar mais ninguém. Jamais esquecer, jamais perdoar – e jamais se apegar a superstições tolas, por favor.

Aproveito que estou no modo racional para me afastar da tentação de analisar a política com a profundidade da poça que a formiguinha de Nelson Rodrigues atravessava com água pelos joelhos. Devo essa ao superego. Eu que não vou competir (e perder) em um viés tão abrangente e disputado que se aplica a quaisquer aspectos da odisseia humana. Registro apenas que minha inveja de quem politiza Iron Maiden é maior do que a versão de “The Rime of the Ancient Mariner” do disco Life After Death.

Ao lado do notebook, os riscos na lista das pretensões do dia me animam. Faltou ir ao centro, caminhar no parque, botar a roupa suja na máquina. Culpa do sol, o mesmo que inspirou Albert Camus que inspirou Robert Smith e me impediu de gabaritar em uma jornada produtiva. Cada um no seu quadrado: um na literatura, outro na música, eu na banalidade. Desafio o termômetro, tomo outro café e me encaminho para o ponto final. Anoitece em Florianópolis e eu só quero derreter.

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Seus heróis morreram de cretinice



O que desgraça a minha cabeça nesse furdunço do Novak Djokovic é tudo.

O número 1 do ranking do tênis mundial ia jogar na Austrália, onde só entram vacinados. Não um torneio comum: o Australian Open, do qual ele é o maior vencedor, com nove títulos, e atual tricampeão. Se ganhasse esta edição, além de tetra, iria se tornar também o jogador mais vitorioso da história do Grand Slam, o conjunto dos quatro torneios mais importantes do tênis.

Mas Djokovic não apenas não se vacinou como faz campanha contra a vacina. Estava criado o impasse que, em circunstâncias normais, seria facilmente superado. Mesmo esperneando, ele se vacinaria e no dia seguinte a mídia estaria reafirmando seu favoritismo. Em vez disso, rolou uma série de voltas e reviravoltas que culminou na deportação dele do país.

O que o sérvio perdeu ao não abrir mão de sua liberdade de contaminar geral extrapola os âmbitos esportivo e econômico, embora nenhum patrocinador ainda tenha se incomodado com o seu comportamento. O que ele ganhou: o posto de herói do movimento antivacina, além de um apelido muito melhor do que Djoko. É muita força de vontade de errar.

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APARELHO | Faça a/o (coisa) (adjetivo) novamente



Depois de tostar aquele que deixou a Cristina Prochaska (cheirar é coisa de aspirante, aqui só tem profissional), entramos numa ciranda de maluco regada a corote. É incrível como a simples menção da bebida imunizante abre um portal para o infinito! A diversidade conceitual – espraiada por autógrafos na era do selfie, reforma trabalhista e Faustão – converge para a única maneira de sobreviver em um país que já transcendeu tanto a lucidez que ficou translúcido. Não, não cobice o nosso tirocínio: alopre como (e com) a gente!

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PLAYLIST | sinta como é infinito



O céu é tão bonito, pra quê chorar?

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