
Seria incorreto teclar que Arcade Fire é uma naba – não conheço a banda. Não me interessou quando surgiu nem por quem era recomendada. Fui escutar o combo canadense em uma compilação da revista Les Inrockuptibles contendo a cançoneta que vende e batiza seu elogiadaço último disco. É de uma perfeição tão, er, conservadora que encerra uma lição: por mais esquisita e multifacetada que esteja a cena, sempre haverá espaço para a caretice pop que em um abençoado dia nos fez gostar de música.
20110211
Doze músicas de 2010:
9) THE SUBURBS, Arcade Fire
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20110208
Doze truques de 2010:
9) ACAPELLA, Kelis (Ming Remix feat. Chiddy Bang)

De uma artista BALOUÇANTE como Kelis, espera-se que o remix vá para outra direção e lhe confira crédito ante a crítica. O DJ e produtor Aaron Albano (o popular Ming) inverte a lógica. A gravação oficial é que soa cabeçuda perto do tratamento aplicado por ele, prenunciado pelos tradicionais cowbells indicativos de festinha. Então os rappers bacanas do Chiddy Bang chegam para dobrar a resistência – da opinião dita especializada, porque a cintura, essa já se rendeu e saracoteia sem vergonha pelo salão.
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20110204
Doze truques de 2010:
10) HYPNOTIZE U, N*E*R*D (Boss in Drama Remix)

O que eu mais curto na corrente geração que não faz música longe do computador é essa irreverência impelida pela autoconfiança. Gente como o curitibano PÉRICLES, que se aventura sobre o trabalho alheio sem permissão e simplesmente ignora a fama que precede seus autores. Pouco importa se é o single de um trio badalado, produzido pelo respeitado Daft Punk: ele acelera a batida e muda o arranjo, ressaltando o potencial manhoso do falsete de Pharrell. Compare, feche os olhos e se deixe hipnotizar.
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20110129
A Justiça é surda
Bem que uma leitora havia alertado, em comentário enviado no último dia 21: “O Globo, o jornalista e Larry Mullen foram condenados. Bono escapou”. A sentença saiu no dia 18 e determina que o jornal, seu então repórter e o baterista do U2 paguem, “solidariamente”, R$ 800 mil ao empresário Franco Bruni. Agora, está em tudo quanto é lugar. Foi um desfecho célere (para os padrões do Judiciário) para um processo marcado, desde o início, pelo surrealismo da ação, do local e das cifras envolvidas.
As gazetas e portais não fizeram as contas, mas os protagonistas ficaram no lucro. Bruni, que já não acreditava na Justiça e dava como perdido o investimento na vinda da banda ao Brasil, em 1998, vai ser indenizado. A banda, cujos representantes legais estimaram que a querela poderia custar R$ 40 milhões aos seus cofres, gastará somente 2% disso – e ainda manteve a ficha limpa de seu vocalista.
O juiz estipulou também os honorários dos ADEVOGADOS e das custas processuais. O empresário deverá arcar com R$ 35 mil para o defensor de Paul Hewson (como Bono é referido nos autos) e mais 2/3 dos R$ 35 mil fixados para cada um dos causídicos dos réus parcialmente vencidos. Estes, por seu turno, terão de pagar 1/3 dos 15% do valor da condenação aos representantes legais de Bruni.
“Publique-se. Registre-se. Intimem-se”, finaliza o despacho. Esqueça-se.
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20110127
Doze músicas de 2010:
10) ROUND AND ROUND, Ariel Pink's Haunted Graffiti

Em outras épocas, esse tipo de som manso, com vocal PLÁCIDO e sutilezas eletrônicas, seria indexado em algum ponto entre o pop “adulto-contemporâneo” e “gay-fino”. Como vivemos em tempos mais anel-liberais, o rótulo inventado para classificá-lo é um primor de frescura: chillwave. Considerando que o angeleno Ariel Pink era chamado de freak folk antes de reunir o grafite assombrado, há que se reconhecer que o upgrade foi benéfico. Principalmente para quem ouve.
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20110121
Doze músicas de 2010:
11) ONLY LOVE CAN BREAK..., I Blame Coco

É a persona artística de Coco Sumner, filha de Sting. Nascida em 1990 na italiana Pisa, Eliot Pauline Sumner herdou do pai, Gordon, mais do que a vocação para a música por trás de um apelido. Sua voz carrega o DNA dele – com um par de cromossomos XX de vantagem. Como o Police, ela forjou sua identidade com uma leitura muito particular dos ritmos jamaicanos e foi se abrindo até o pop tomar conta (inclusive desta cover de, ora veja, Neil Young). Tomara que a mocinha não viaje na escolha dos parceiros e perca a graça.
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20110120
Novo Jovem Eterno
Às voltas com um dos meus carmas profissionais, nem acusei que este VEÍCULO completou três anos no último dia 15. Ficam o registro de data tão significativa para a internet e a promessa de prosseguir oferecendo nada que não seja sonho.
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Também não disseminei como devia a publicação de uma resenha sobre o primeiro show da turnê de Amy Winehouse por estas plagas no Bate-Estaca, mantido pelo chapa Camilo Rocha.
Eu sou mesmo de uma humildade impressionante.
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Eu vi as melhores cabeças da minha geração possuídas pela loucura, fanáticos histéricos com camisetas de bandas, errando na madrugada por Jacarepaguá atrás de uma ponta caída onde antes havia grama, goiabas de cabeça feita, elementais urbanos debatendo-se em comunhão orgânica e ideológica com aquele senhor em cima do palco, que esperança e sangue e guitarras potentes e sentimentais despejou sobre o menor público do festival enquanto o futuro só não era mais brilhante do que o rock executado na noite de 20 de janeiro de 2001.
Há dez anos, Neil Young tocava no Rock In Rio.
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