20091207

Seu ódio será a nossa herança

O 10,000 Words, em sua incansável cruzada para disseminar a tecnologia entre os jornalistas, publicou uma lista com sete razões que levam os leitores a odiar um blog. Sem disfarçar a frustração, este VEÍCULO reconhece que incorre em apenas quatro dos motivos citados. Mas não há de ser nada: com a graça da Santa Ignorância, não vamos medir esforços para completar a relação em 2010.

Contamos com o seu repúdio.

20091127

Menos 45 dias

Nessas de acompanhar os muy salerosos sonidos hechos al sur del Río Grande, trombei com o Mexican Institute of Sound (MIS). Apesar do nome monumental, é cria de um homem só, Camilo Lara, e já está em seu terceiro disco. Soy Sauce, lançado há pouco, não se compromete com nenhum estilo musical em particular, servindo um burrito sônico à base de ritmos nativos, eletrônica e ingredientes importados do pop globalizado. Como sou um ENTE zeloso da tradição, preferi o naco mais autêntico da receita – ainda que, em se tratando da alma pachuca, isso se traduza na mais proverbial canastrice latina travestida de dolor.

Mas não foi para batucar rudimentos de espanhol que interrompi meu coito com as Musas. O verdadeiro propósito destas mal-tecladas é dizer que acabei conhecendo o produtor do CD, Holger Beier. Surpresa recíproca: minha, por descobrir quem ele é; dele, por eu saber que o MIS existe. Gente finíssima, vocação de agitador, cabeça da Bungalow Records, vive desembarcando em São Paulo, Nova York, Porto Alegre, Berlim. Mora com a cantora Pat C, igualmente bacana, responsável por mais uma felicidade mútua & fortuita ao (me) lembrar que resenhei um disco seu no tempo em que minha ascensão profissional parecia inexorável.

Ele, alemão. Ela, mineira. Foram parar em Florianópolis, no Rio Tavares. Nesse mundo ovo, quero ser o pinto que vinga. Se a frigideira for meu destino, que seja então com o lado ensolarado para cima. Gema dura, por favor.

MEXICAN INSTITUTE OF SOUND, Te Quiero Mucho

20091116

Anotações de leitura

“A arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida todo o resto; mas, concluída a página, retoma-se a vida, e nos damos conta de que aquilo que sabíamos é realmente nada.”

(O Cavaleiro Inexistente, de Italo Calvino)

20091113

Menos 31 dias

Quando eu acho que já não há mais nada a conhecer de reggae e que os bípedes intolerantes a qualquer coisa com propriedades auditivas ou herbáceas que remeta a uma certa ilha caribenha devem ser deixados em paz na MODORRA que escolheram para gastar suas vidas, me aparece este Juninho Inglês. No ato me lembrei de Curtis Mayfield, caso Curtis tivesse nascido na região metropolitana de Kingston e competisse com NESTA para ver quem conseguiria fazer de uma canção o atalho mais rápido para o cérebro límbico das sonhadoras. O sentimento emanado é o mesmo; a linguagem universal que transcende estilos musicais para proclamar o óbvio: pior do que sofrer por amor é não amar. Chora, coração!

JUNIOR ENGLISH, Heading for the Wrong Direction

20091112

67 anos, mas com corpinho de 39

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PAULINHO DA VIOLA, Comprimido

20091106

Menos 24 dias

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O fato de ter Suicidal Tendencies estocado no acervo RESIDENTE do player, isto é, naqueles 100 megas imunes ao hype, diz muito sobre um homem. Agora, o fato de o Poder Randômico escolher isso para rolar quando se está dentro de um ônibus no sentido Campeche-Centro – vendo a restinga que separa o asfalto da praia sendo detonada para construção de prédios com todas as facilidades de um clube (ainda vou escrever um tratado sobre como a criação do espaço garage band nos condomínios modernos matou o rock’n’roll), achando um crime de lesa-natureza e doido para viver ali, de cara para a Ilha do Campeche – diz muito mais do que qualquer aposto gigantesco faz supôr. A ocasião exige a tomada de grandes decisões.

Preciso comprar créditos para o meu cartão-cidadão.

SUICIDAL TENDENCIES, Choosing My Own Way of Life

20091104

Oiticica revisitado [ns]

20091022

Menos nove dias

A leitora fissurada em novela talvez não saiba, mas houve um tempo em as trilhas sonoras dos folhetins eletrônicos eram feitas com esmero. Quando não existia essa mamata de baixar músicas grátis pela internet, os discos com os temas de cada personagem cumpriam a função de apresentar artistas que jamais seriam lançados no incipiente mercado nacional aos silvícolas. Foi assim que milhares de telespectadoras de Cavalo de Aço, exibida pela Globo em 1973, tomaram conhecimento de “The Snake”, do El Chicles, que irrompia a cena toda vez que Santo (Carlos Vereza) aparecia. O jeitão latino psicodélico do instrumental, descrito na coletânea em que descolei a música como “uma cruza de Serge Gainsbourg [faz sentido] com Radiohead [viajou]”, mascara sua verdadeira origem: o mesmo grupo belga de músicos de estúdio que também gravou sob o nome de Chakachas.

Aqui eu dispenso o Google para dizer que então já conhecia esses caras. Estão no filme Boogie Nights, emprestando gritos e sussurros para as peripécias falocêntricas do espadaúdo Dirk Diggler. A sacanagem é não ter descoberto isso antes.

EL CHICLES, The Snake

20091018

Hitchcock em série

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[via Neatorama]

20091016

Menos três dias

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Um dá o ar da graça com sua alegriazinha. Outro lançou disco com nome trocado. O terceiro acaba de ser internado em um rehab. Ou ando muito desinformado ou Julian Casablancas é muito discreto. Tirando Nick Valensi, ele é o stroke de quem menos ouvi falar nos últimos meses – justamente aquele que atraía a maior parte das atenções quando a banda estava na ativa. Enquanto o quinteto não volta, o filho do descobridor de algumas das mais famosas modelos do mundo também vai sair em aventura solo. Seu primeiro single é essa TETÉIA aí embaixo, diferente – para melhor – de qualquer coisa que tenha feito com o grupo e dos trampos paralelos de seus integrantes.

Respeitei.

JULIAN CASABLANCAS, 11th Dimension