(coluna publicada hoje no Diário Catarinense)

O autor mostra que, até 1983, quando Ritchie conquistou o povão com “Menina Veneno”, havia lugar também para falsos gringos cantando em inglês (Mark Davis, na verdade Fábio Jr.), picaretagens armadas por produtores (Gretchen) e pastiches sintonizados com as ondas que vinham de fora (Frenéticas). Daí em diante, por razões que incluem decadência criativa, exigência por resultados e aversão ao risco, ficaria cada vez mais difícil para os pavões continuarem misteriosos. O mercado é louco, mas não rasga dinheiro.
Raiz punk, fruto reggae
O pai integrou uma banda ícone do punk e a filha segue a carreira musical. O que ela faz? Reggae, lógico – afinal, entre outras conexões, a Babilônia combatida por Bob Marley e o “sistema” que os proletários ingleses queriam derrubar eram o mesmo inimigo. Portanto, nada mais natural do que Hollie Cook investir forte no ritmo jamaicano. Em seu segundo disco, Twice, a herdeira de James Cook (ex-baterista dos Sex Pistols) atualiza a levada roots que garante a brisa em “Ari Up”, “Desdemona” e “Postman”.
Enfado mortal
O problema de Strut nem é a música. O funk-rock setentista diluído em pop de Lenny Kravitz continua presente em seu décimo disco. O que complica a situação do cantor é que há cada vez menos bípedes interessados nisso. A crítica nunca o engoliu, a juventude o ignora e as fãs que restaram têm coisas mais importantes para se preocupar do que defendê-lo. Fica a dica: contra o enfado, não há abdômen trincado que dê jeito.
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