20080229

Você também perdeu um tempo danado por nada

Nunca houve em Santa Catarina um julgamento como o do caso “Bruni X Bono”, realizado entre os dias 27 e 28 em Balneário Camboriú. De um lado, um empresário disposto a ir às últimas conseqüências para recuperar sua honra. De outro, um popstar associado a causas humanitário-messiânicas e a óculos escuros. Entre um e outro, um batalhão de ADEVOGADOS. E, em volta deles, a maior concentração de estudantes de Direito que a cidade onde as ruas não têm nome já presenciou. Foi um show.


A partir do momento em que o café esfriou, acabaram as coxinhas e a juíza Dayse Herget de Oliveira Marinho mandou a audiência moderar o linguajar, teve de tudo. O litígio de abertura – um repórter investigativo cobrando ressarcimento do plano de saúde por uma cirurgia de retirada de câmera do reto, fragorosamente derrotado sob a alegação de que “intervenções estéticas não são cobertas” – deixou o público em ponto de bala para o processo principal. Efetuada a troca de togas, o autor da ação indenizatória contra o vocalista do U2 começou a representação.


Franco, Bruni disse que se sentia como um homem traído com um beijo. Ele lembrou que só decidiu empenhar seu patrimônio e sua reputação para trazer a banda pela primeira vez ao país, em 1998, porque era fã do grupo. “Tanto que a quantia que estou pedindo para reparar minhas perdas e danos é influenciada por ‘40’, uma das músicas mais bonitas do cancioneiro anglo-saxão”, explicou, referindo-se à última faixa do disco War, de 1983. “O que fizeram comigo não se faz nem com a Britney Spears”, comparou.


Brandindo vários recortes do jornal O Globo datados de novembro de 2000, o promotor de eventos apontou diversos indícios do que seria uma ação orquestrada para desmoralizá-lo perante o governo catarinense. As reportagens falam sobre a vinda do quarteto ao Brasil naquela época para compensar os tumultos ocorridos na turnê anterior, da qual Bruni era o responsável. Provocados, Bono e o baterista Larry Mullen o chamam de “rebotalho” e “proxeneta”. As rimas inflamaram o público.


“Essas difamações arruinaram minha participação na concorrência para organizar as festividades alusivas aos 500 anos de São Francisco do Sul em 2004”, lamentou o empresário. “E ainda erraram a minha idade em todas as matérias”, exaltou-se, para gáudio da oposição. Por fim, Bruni apelou para a emoção. Com a voz embargada, revelou que sua escola de inglês em Balneário Camboriú, a ShamROCK (“a única com sotaque de Dublin”), passa por dificuldades. “Os alunos não conseguem chegar a tempo nas aulas por causa do trânsito”. Depois dessa, mais não disse nem lhe foi perguntado.


O próximo passo do processo prevê a defesa do réu via carta rogatória – requerimento expedido pelo magistrado à autoridade judiciária de outro país para cumprimento de atos processuais em território estrangeiro. O recurso não significa que a situação esteja perto de um desfecho: segundo um estagiário da Ordem dos Abacates do Brasil, uma brecha na justiça irlandesa permite que casos tramitados em anos bissextos sejam analisados somente em anos bissextos. Então, até 2012.

3 comentários:

Unknown disse...

Eu tenho medo de Emerson Gasperin!
Surrealista! Não pare!

Anônimo disse...

hãn qué isso !!! que babozeira toda é essa que bando de informações iodióticas, hahaahhah tudo que vc escreveu só pode ter vindo dessa mente biruta me poupe ...... quer escrever algo, então procure uma fonte segura !kkkkkkkk

Anônimo disse...

O Globo, o jornalista e Larry Mullen foram condenados.
Bono escapou.
Quem diria: David ganhou de 2 Golias!!

Não acreditam, olhem no site do TJ-SC